quinta-feira, 17 de maio de 2007

Cantei!

Diz o povo: "Quem canta seu mal espanta!"
Digo eu, haverá muitas maneiras de "espantar" os males, mas de facto cantar é das melhores!
E quem ouve quem canta, sente isso, reagindo de duas maneiras: bem, aproveitando para também espantar alguns males; mal, porque chateia saber que outros o estejam fazendo.
Quem canta viaja, teimando estar longe. No fim, volta - mas que foi, foi.
Cantar em côro, afinando timbres, sincronizando tempos, é energizar um "espanta-males" tão potente, que dura várias horas, ou mesmo dias!
Uma plateia normalmente contribui para essa energia, beneficiando dela - mas as actuações em público não são cruciais, nem sequer a parte mais interessante - são apenas um convite para tomar parte dum "espanta-males" generalizado, abrangente, possante, que meta de facto medo ao mal, relegando-o para o reles buraco da não-existência, onde pertence.
A alegria assusta a tristeza, que pretende dar ares de forte, mas é assustadiça.
Desde pequeno que o meu sonho é cantar.
Cantei.
"Cantando espalharei por toda a parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte!"
Mais: "Chorei! Mas ali onde eu chorei, qualquer um chorava! Dar a volta por cima, que eu dei, quero ver quem dava!"
Com o vibrar da minha voz, "vibrai, senhores, com esta Lisboa doutras eras!"
"Guitarra canta baixinho..."
"Cantarééééééé...cantaré!"
Cantei e cantarei.
"Até que a voz me doa!"

- Luciano Carlotti

2 comentários:

Sara disse...

Não vi, não ouvi... mas senti! Que cantes todos os dias... na banheira, na cozinha, na rua ou num teatro! Canta e espanta todos os males! (f)

maria disse...

Cantando alivia mas faz pensar, será que todos que te vão ler irão perceber a tua canção, ou irão sentir o que sentes? não esqueças que mais de meio mundo não diz o que sente, apenas se limita a falar por falar.

beijos da Fatinha