quinta-feira, 15 de maio de 2008

As Ondinas


Na praia tranquila murmuram sonoras
As ondas do mar.
E, ao doce das águas murmúrio palreiro,
Na areia dormita gentil cavaleiro
Á luz do luar.

As belas ondinas emergem das grutas
De vivo coral,
Acorrem ligeiras, e apontam, sorrindo,
O moço que julgam deveras dormindo
No argento areal.

Vem esta, e perpassa do gorro nas plumas
As mãos de cetim.
E aquela, com gesto divino, gracioso,
Nos ares levanta do jovem formoso
O áureo telim

Ess’outra, que lavas, que fogo não vibram
Seus olhos de anil!
Debruça-se e arranca-lhe a rútila espada,
Nos copos brilhantes se apoia azougada,
Travessa e gentil.

A quarta, saltando, retouça, lasciva,
Do moço em redor;
Suspira mansinho, de manso murmura:
“Pudesse eu em vida gozar a ventura
Do teu fino amor!”

A quinta rebeija-lhe as mãos, enlevada
Num sonho feliz,
E a sexta, com trémula e doce esquivança,
Perfuma-lhe a boca, formosa criança!
Com beijos subtis...

E o moço, fingindo que dorme tranquilo,
Não quer acordar.
E deixa que o abracem as belas Ondinas,
E lânguido goza carícias divinas
Á luz do luar...

- Gonçalves Crespo (1846-1883)

3 comentários:

iaracida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
iaracida disse...

Linda a poesia, meu querido amigo. Parabéns! estou adorando o seu Blog.
Posso colocar um link do seu Blog no meu Blog?
Beijão transatlântico, da amiga Iara!

iaracida disse...

Linda a poesia, meu querido amigo. Parabéns! estou adorando o seu Blog.
Posso colocar um link do seu Blog no meu Blog?
Beijão transatlântico, da amiga Iara!