sábado, 26 de julho de 2008

Arte sim, morte não!

Lembro-me das explicações do meu avô, que pacientemente instilava em mim o entusiasmo pela festa. Há de facto algo de belo e artístico, quando cavaleiro cavalo e touro encetam um diálogo de desafio, carga, simulação e contra-carga, num todo harmonioso que lembra uma dança, ensaiada mas espontânea, pois sempre há um passo imprevisto, um golpe de vento, uma força mal medida, que graciosamente se corrige.
Sempre achei serem sentimentos nobres os evocados pela festa brava, pois a valentia de um homem (ou mulher) se sobrepunha com valor e mestría às investidas de um animal nobre que arremessa sobre quem ouse desafiá-lo, toda a fúria da Natureza. Era de facto uma Arte!
Hoje em dia já não é bem assim. Poderá ter sido assim durante mais de dois mil anos. (Se fôr certa a teoria de que a origem provém dos circos romanos.) Mas hoje em dia, a força corrosiva do dinheiro, corrompeu a festa. Os touros são torturados e humilhados desnecessáriamente, antes, durante e depois da degradante festa, sobretudo na vizinha Espanha.
Entusiasmar-se e gritar "vivas" ao sofrimento e tortura de um animal (como de qualquer ser) é voltar atrás na civilização. "Em nome da Arte não vale tudo!"
Envisiono uma festa taurina sem ferros, sem sangue, sem sofrimento, onde a luta entre homem e animal seja justa e nobre para ambas as partes, vencido e vencedor, qualquer que deles seja.
Talvez um festival de pegas à portuguesa, com competição entre as associações de forcados.
Numa pega as forças estão mais equilibradas, sendo as chances dadas ao touro bem maiores.
Mas isso são sonhos "românticos", como diz um amigo meu.

Tal como estão as coisas agora, sobretudo em Espanha onde para além da tradicional tourada, outras "tradições" de tortura ao touro são levadas a cabo todos os anos, não devem, não podem continuar.
Assinem a petição a Zapatero, por algum lado se tem que começar:

http://www.petitiononline.com/ea6gk6/petition.html